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Nutrigenômica: controlando os genes através da alimentação

” Que o alimento seja o remédio, e que o remédio seja o alimento “

Essa frase antiga escrita pelo Hipócrates, pai da medicina moderna foi deixada de lado aqui no ocidente por muito tempo. Felizmente as coisas estão mudando e cada vez mais estamos descobrindo o verdadeiro potencial dos alimentos para a nossa saúde.

As propriedades terapêuticas dos alimentos sempre foram muito polêmicas. Desde 2004, com o término do Projeto Genoma Humano e a decodificação do nosso DNA, muitas coisas começaram a ficar claras nesse terreno. Apesar de termos um número consideravelmente pequeno de genes ( 25.000 em cada célula) comparando a outras espécies, os cientistas descobriram recentemente maneiras de controlar esse modesto número que possuímos, ao que chamaram de epigenética. Essa ciência explica como podemos mudar a atividade dos genes sem mudar a sequência genética.

Uma das formas que podemos influenciar os genes sem alterar sua estrutura básica é através dos alimentos que comemos. O impacto da nutrição sobre os nossos genes é chamado de nutrigenômica. Podemos dizer que os nossos genes carregam a arma e o nosso estilo de vida puxa o gatilho. Os alimentos conversam com os nossos genes e mandam mensagens de saúde e doença.

Vamos analisar de uma maneira diferente: Nossa garfo é tão poderoso que ele pode não só transportar alimentos para a nossa boca, como também pode ser usado como um interruptor genético liga/desliga para alterar o nosso peso, pressão arterial, colesterol no sangue, o crescimento do câncer, e até mesmo as nossas chances de envelhecimento saudável.

Até agora, a maioria dos estudos em nutrigenômicos foram realizados com uma dieta a base de plantas, ou seja, vegana, e com baixo teor de gordura, a chamada dieta Ornish. Os resultados desses estudos são realmente incríveis:

1. Uma dieta baseada em vegetais pode desativar genes do câncer de próstata.¹

2. Uma dieta baseada em plantas retarda o envelhecimento.²

3. Uma dieta baseada em vegetais melhora a inflamação, o peso e a saúde vascular.³

Quando Hipócrates escreveu há 2.400 anos “Que o alimento seja o remédio”, imagino que ele não fazia idéia de que experiências científicas um dia provariam suas ideias. Comida não é apenas uma fonte de calorias que contêm proteínas, carboidratos e gorduras, é muito mais do que isso. É uma grande fonte de fitonutrientes, moléculas químicas das plantas que não são proteínas, caroboidratos, ou qualquer outro macro ou micronutriente, e que interagem com a sua biologia. Comida é informação.

“Você é o que você come”  um ditado popular tão antigo nunca fez tanto sentido. Por isso, tenha consciência de que os alimentos que você está ingerindo são de boa qualidade, orgânicos, frescos e naturais, pois eles irão se tornar suas células, sua pele, seus cabelos, você.

Como você está controlando seus genes? Seus alimentos estão enviando mensagens boas ou ruins?

A sua saúde está em suas mãos e você tem o poder de controlar isso.

Espero que esse post ajude a você tomar boas decisões em relação a sua saúde!

 

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1- D. Ornish, M.J. Magbanua, et al. Changes in prostate gene expression in men undergoing an intensive nutrition and lifestyle intervention. Proc Natl Acad Sci U S A. 2008 Jun 17;105(24):8369-74. doi: 10.1073/pnas.0803080105. Epub 2008 Jun 16.

2- D. Ornish, J. Lin, et al. Effect of comprehensive lifestyle changes on telomerase activity and telomere length in men with biopsy-proven low-risk prostate cancer: 5-year follow-up of a descriptive pilot study. The Lancet Oncology. 2013 Oct;14(11):1112-20. doi: 10.1016/S1470-2045(13)70366-8. Epub 2013 Sep 17.

3- D.L Ellsworth, D.T Croft, et al. Intensive cardiovascular risk reduction induces sustainable changes in expression of genes and pathways important to vascular function. Circulation. Cardiovascular Genetics. 2014 Apr;7(2):151-60. doi: 10.1161/CIRCGENETICS.113.000121. Epub 2014 Feb 21.

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